A gente trabalha com números todo dia. Entrada de mercadoria, saída, caixa, saldo. Nas lojas que operamos espalhadas por condomínios e prédios corporativos, um padrão começou a aparecer: faltava produto que ninguém tinha registrado como faltando.
\n\nVendíamos um iogurte que custava R$ 8,50. O cliente pagava. Tudo certo no app. Mas quando você mandava conferir estoque físico, aquilo somia antes de chegar à prateleira. E não era furto dentro da loja, não. Era no trajeto.
\n\nO que é perda em trânsito e por que ninguém vê
\n\nPerda em trânsito é simples: produto que você saiu do seu depósito de rede, entrou na van do repositor, e nunca chegou à vitrine. Ou chegou danificado. Ou chegou e foi empilhado na entrada porque ninguém terminou a reposição.
\n\nParece pequeno. Um iogurte. Uma barra de chocolate caída. Depois são 15 unidades de bebida que demorou uma semana pra vencer e ninguém nem abriu. Somam.
\n\nNas operações que a gente acompanha, esse tipo de perda costuma rodar entre 2% a 5% da mercadoria que sai do depósito. Parece nada. Multiply por um ticket médio de R$ 22 e por uns 60 clientes por dia em uma loja mediana de condomínio com 100 a 150 unidades. Dá R$ 800 a R$ 2 mil por mês que você tira do bolso sem saber.
\n\nQuando o sensor não avisa que o produto caiu
\n\nVocê instala um sensor de peso na gôndola. Funciona. Quando algo some, avisa. Mas não avisa quando o produto está ali, na frente, caído pra trás. Escondido. Vencido.
\n\nVi isso em um ponto que a gente operava em um prédio de ~180 escritórios em São Paulo. O repositor chegava, tirava a caixa, empilhava 24 unidades de achocolatado na parte de cima da gôndola, e embaixo, onde ninguém olhava, ficavam três embalagens amassadas de uma semana atrás. Cliente novo via só o topo, bonito, pegava. Cliente antigo, que conhecia a loja, abria a caixa nova, via o lixo embaixo, desconfiava, não comprava, saía.
\n\nE o sensor marcava