Instalei uma loja em um condomínio de cerca de 110 unidades em Curitiba. Nos primeiros três meses, achei que estava tudo certo. Ticket médio entre R$ 22 e R$ 28, movimento constante, clientes voltando. O painel HRM mostrava consistência. Mas quando sentei com a planilha de custo real, descobri que estava vendendo refrigerante a preço de supermercado de bairro, margem de 18% quando deveria estar em 35%, e ninguém tinha tocado no mix desde a inauguração.
\n\nIsso acontece em quase todas as lojas autônomas que visitamos.
\n\nPor que o preço da loja autônoma fica preso
\n\nTem uma lógica. Você entra no mercado querendo ganhar cliente. Vê a concorrência, vê a padaria do bairro, vê o app de supermercado oferecendo frete. Pensa: se eu cobrar R$ 5 num café que custa R$ 8 no supermercado, ganho volume. Aí você replica aquele preço em 20 lojas sem revisar. Seis meses depois, o custo da reposição subiu, mas o preço continua.
\n\nO app da loja autônoma mostra o preço fixo na tela. Mudar preço parece arriscado, como se você fosse perder cliente. Mas é justamente o oposto.
\n\nO produto que financia a perda dos outros
\n\nVamos aos números. Suponha um mix típico: bebida gelada (40% do volume), snack (35%), higiene (15%), conveniência (10%). Se você vende 150 itens por dia na sua loja, são ~60 bebidas. Custo real incluindo reposição, consumo elétrico, quebra, taxa Pix: R$ 2,10 por unidade. Você precifica a R$ 4,50. Ganho: R$ 2,40 por unidade, ~R$ 144 por dia com bebidas.
\n\nSnack custa R$ 3,80, você vende a R$ 5,90. Ganho: R$ 2,10 por unidade. Mas vende menos: ~50 itens. Total: R$ 105 por dia.
\n\nHigiene é armadilha. Pasta de dente custa R$ 5,20, você precifica a R$ 7,80 porque