Instalei uma loja autônoma em um condomínio de ~200 unidades em Curitiba. Primeiro mês, números pareciam ótimos. Ticket médio de R$ 22, ~180 transações semanais, app rodando direitinho. Só que a conciliação não fechava. Toda semana faltavam entre R$ 180 e R$ 350 que ninguém conseguia rastrear.
\n\nPensei logo em furto. Mas colocar câmera em loja autônoma é caro, gera constrangimento com moradores e ainda assim não pega tudo. A real é que câmera sozinha é ilusão de segurança. O cliente vê a câmera, sente-se observado, e aí a compra cai. Mas o furto continua acontecendo, só que mais sofisticado.
\n\nExistem três tipos de desaparecimento que câmera nunca flagra sozinha. O primeiro é o scaneamento errado: cliente scanneia um produto de R$ 8 mas coloca outro de R$ 15 na sacola. O segundo é o não-scaneamento: pega o item, coloca no app, clica em quantidade errada (coloca 1 quando pegou 2). O terceiro, o mais comum, é sair do app antes de confirmar o pagamento. Sai da loja, cancela a transação, fica com a compra.
\n\nComo o sensor de peso pega o que câmera não vê
\n\nComeçamos a testar sensores de peso em algumas gôndolas. Equipamento não é caro, entre R$ 400 e R$ 800 por ponto. Funciona assim: cada SKU tem peso catalogado. Quando o cliente pega um produto, o sensor detecta a diferença. Se a compra no app não bate com o peso removido, alerta. É matemática, não é opinião.
\n\nEm três semanas, o sensor flagrou ~40 discrepâncias por semana naquele condomínio. Nem todos eram furto. Alguns eram erros de digitação. Outros, cliente realmente trocava de ideia e devolvia. Mas uma boa parte era gente que pegava e não registrava no app, ou registrava quantidade errada. Implementamos um alerta suave no app: