Tem um número que a maioria dos franqueados não quer encarar. Você fecha a loja autônoma, tira o relatório de vendas do app, soma tudo, depois abre a conta do banco. E falta grana. Não muito, não é roubo óbvio. É como se R$ 150, R$ 200 por semana desaparecessem numa conta que ninguém sabe explicar.
\n\nNas lojas que operamos, a conciliação de caixa digital é onde a maioria dos pequenos franqueados descobre que não sabe onde o dinheiro foi. E não é culpa deles. O problema é que Pix, cartão e saldo da loja autônoma falam idiomas diferentes.
\n\nPor que Pix e cartão geram saldos que não batem
\n\nAqui tá o primeiro susto. Uma transação de Pix demora segundos. Você escaneia, paga, pronto. Cartão? Leva mais tempo porque a bandeira precisa validar e depois a adquirente precisa confirmar. Isso significa que num dia você pode vender R$ 1.200 e o app registrar os R$ 1.200, mas o banco só receber R$ 800 porque os cartões ainda estão pendentes.
\n\nE aí vem o cliente honesto. Aquele que escaneia o código, faz a compra, mas a internet cai ou a bateria do celular morre antes de confirmar o pagamento. Ele sai com o produto. No app fica registrado como tentativa de compra. No banco não entra nada. Quando você abre o extrato, tá faltando. Quando você abre o app, tá lá.
\n\nNum prédio corporativo com ~200 unidades que monitoramos, vimos isso acontecer 3, 4 vezes por semana durante horas de pico. São pequenas falhas de rede, principalmente entre 12h e 13h quando todo mundo tá usando WiFi da empresa. Resultado: 2 a 3% do faturamento fica em xeque.
\n\nCartão de débito versus crédito muda tudo na conciliação
\n\nSe você vende R$ 100 por Pix, recebe R$ 99 no banco (1% de taxa). Se a pessoa paga com débito, recebe R$ 98 (2% de taxa). Se for crédito parcelado, o débito demora até cinco dias úteis. Cada um desses tem horário diferente de entrar na sua conta.
\n\nAí você tá tentando bater o caixa no final do dia e o app mostra que você vendeu, mas metade ainda tá