Instalei uma loja autônoma em um prédio comercial de aproximadamente 200 unidades em Curitiba, e nos primeiros trinta dias o saldo da conciliação não bateu. Não era ruptura óbvia. Produtos estavam lá. Mas faltava grana. Decidi testar dois sistemas de detecção em pontos diferentes da rede: uma loja com câmera visível apontada para a zona quente, outra com sensor RFID invisível nas gôndolas. O que aprendi mudou meu jeito de pensar em antifurto.
\n\nO problema real não é furto deliberado
\n\nVocê pensa em furto como alguém que entra na loja autônoma, pega um produto e não escaneia. Acontece. Mas representa talvez dez a quinze por cento da perda real. O resto é outra coisa: erro de escanear o produto errado, cliente que pensa que pagou mas a transação caiu, gôndola que registra quantidade errada no sistema porque ninguém confirmou o que entrou, sensor de peso que falha quando o cliente coloca algo sobre a gôndola sem querer.
\n\nA câmera vê comportamento. O RFID vê movimento de produto.
\n\nPor que câmera mata mais venda do que recupera perda
\n\nQuando instalei a câmera visível acima da zona quente (snacks e bebidas geladas), o tráfego daquele horário caiu vinte e cinco por cento na semana seguinte. Clientes veem a câmera. Mesmo quem não pensa em roubar se sente vigiado. Demoram mais para pegar o produto. Hesitam. Alguns desistem na hora de aproximar o celular do QR code. Conversando depois com o gerente do prédio, ele disse algo que faz sentido: